Setor privado avança para ser o maior contratante de obras de infraestrutura no Brasil

Setor privado avança para ser o maior contratante de obras de infraestrutura no Brasil

Por: Santelmo

Historicamente dominado pelo setor público, esse mercado teve em 2020 um equilíbrio entre as duas esferas (com cada uma respondendo por 50% dos projetos) 

Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no último dia 15 de junho, mostram que o mercado nacional da construção sofreu mudanças estruturais durante a década passada. Entre essas alterações, a de maior destaque é o crescimento da participação da iniciativa privada nas obras de infraestrutura. Historicamente dominado pelo setor público, esse mercado teve em 2020 um equilíbrio entre as duas esferas (com cada uma respondendo por 50% dos projetos). Anteriormente, algo parecido só havia acontecido em 2015 — quando o setor privado superou as contratações do governo por conta das obras para as Olimpíadas.

“A execução de edifícios e serviços especializados para a construção têm maior foco do setor privado, já a iniciativa pública costuma ser mais presente nas obras de infraestrutura. Porém, mesmo nesse mercado está crescendo a participação privada”, diz Marcelo Miranda, analista da pesquisa. De acordo com o levantamento do IBGE, nos últimos dez anos, o governo perdeu 7,9 pontos percentuais em relação à participação no segmento de infraestrutura. Com isso, deixou de ocupar a liderança no ranking dos maiores contratantes desse importante mercado.

O estudo mostra, ainda, que a iniciativa privada vem conquistando espaço em mais dois segmentos da construção. Na execução de obras de edifícios, a participação foi de 75,6% em 2011 para 82% no ano de 2020. Já na área de serviços especializados para a construção, o percentual evoluiu pouco: de 78% para 79,4% considerando o mesmo intervalo de tempo.

A pesquisa também joga luz sobre as mudanças na concentração de mercado observadas na última década. No ano de 2011, as oito maiores companhias da construção respondiam por 11% de todo o setor, número que caiu para apenas 4,8% em 2020. Essa diminuição aconteceu nos mercados de infraestrutura e no segmento de construção de edifícios. Porém, no setor de serviços especializados para a construção, houve um aumento (indo de 4,7% para 7,2%).

A pesquisa 

Os dados apresentados integram a Pesquisa Anual da Indústria da Construção, que em 2022 chegou a sua edição de número 30. Para a elaboração do estudo, foram consideradas as informações coletadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística no ano de 2020.