Siderúrgicas latinas veem oportunidade de substituir aço chinês

Siderúrgicas latinas veem oportunidade de substituir aço chinês

Com o salto na produção do enorme setor siderúrgico da China, Pequim tenta esfriar esse mercado por meio de controles de poluição e cortes de capacidade.

Fonte: InfoMoney

Site Revista M&T - Junho 2021

Com o salto na produção do enorme setor siderúrgico da China, Pequim tenta esfriar esse mercado por meio de controles de poluição.

Operadoras de altos-fornos do México à Argentina querem diminuir a crescente dependência da América Latina em relação ao aço chinês. A iniciativa do país asiático para limpar o setor pode ser o catalisador disso.

Com o salto na produção do enorme setor siderúrgico da China, Pequim tenta esfriar esse mercado por meio de controles de poluição e cortes de capacidade.

Eventualmente, essas políticas podem abrir caminho para produtoras latino-americanas como Ternium e Gerdau substituírem as importações que correspondem a mais de um terço dos suprimentos na região, disse Alejandro Wagner, o novo presidente da Associação Latino-Americana do Aço (Alacero).

Para tirar máximo proveito da potencial desaceleração da produção chinesa no futuro, os governos latino-americanos precisam criar condições que ajudem os produtores de aço a competir globalmente, como aliviar a carga tributária e simplificar a logística e a burocracia, disse Wagner.

“Se não houver aço excedente sendo despejado na América Latina a preços ínfimos sob diferentes condições competitivas, é claro que a América Latina pode produzir mais aço”, afirmou. “E, claro, aço verde.”

No momento, os países latino-americanos têm impostos que “devoram” grande parte dos lucros dos produtores, acrescentou ele.

A região também precisa melhorar as cadeias de abastecimento que, segundo Wagner, por vezes tornam o transporte interno tão caro quanto o frete de mercadorias da China.

O nível de produção siderúrgica na região já está de volta aos níveis anteriores à pandemia, mostrou um relatório recente da associação.

Porém, as importações continuam representando um risco. A retomada na construção de residências e imóveis comerciais ajuda na recuperação, mas as incertezas em torno da vacinação permanecem, alertou Wagner.

Os contratos futuros de aço seguem elevados mesmo após o recuo visto no último mês. Para Wagner, os preços ficarão próximos dos níveis atuais até o final do ano e cairão gradualmente mais tarde.

“A demanda atual pode ser explicada não só pela retomada dos principais setores consumidores, mas também pela formação de estoques defensivos de alguns segmentos que querem se proteger de cenário de volatilidade do mercado.”

Segundo ele, essa volatilidade pode ser explicada pelo movimento mundial de alta nos preços das commodities. “Quase todos os insumos e matérias primas, em especial minério de ferro e sucata, continuam com significativa elevação de preços, causando forte impacto nos custos de produção da indústria do aço.”